
Renato Rocha, conhecido como Billy ou Negrete (Rio de Janeiro, 27 de maio de 1961), é um músico brasileiro. Tocou como baixista nos três primeiros discos da banda Legião Urbana.
Entrou para a Legião Urbana em 1984, logo depois da banda ter assinado o contrato com a EMI-ODEON e Renato Russo ter cortado os pulsos, não podendo usar o instrumento por uns tempos. Era amigo de Marcelo Bonfá, baterista da Legião, o que facilitou sua entrada para a banda. Assim como os seus companheiros de banda (Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Russo), viveu a adolescência em Brasília. Antes de entrar para a Legião Urbana, foi membro da facção “hardcore” dos “punks” de Brasília (gangue dos Carecas). A partir daí, virou quadro fixo do grupo e compôs Quase sem querer e Daniel na cova dos leões, ao lado do líder da Legião. Em 1989 Renato Rocha deixa a Legião, seguindo carreira solo em 1989; dizem que sua saída da banda aconteceu por desentendimentos com os outros integrantes. Após anos, Billy foi convidado a fazer participação no álbum “Uma Outra Estação” na faixa “Riding Song”.
Tem como passatempo: esportes, corridas de cavalo, ciclismo e música. Segundo ele próprio, tem um gosto bem eclético, gosta de jazz, rock, “Moreira da Silva também é ótimo”… Atualmente tem uma banda chamada Solana Star, em referência ao navio do mesmo nome que naufragou em 1987.
Fonte: Wikipedia
Renato Rocha – Saída da LU
Retirado do Livro: O Trovador Solitário – 2002 / Arthur Dapieve
O baixista nunca superara – e nem estava muito interessado em superar – a condição de corpo estranho na banda. Ficava sempre calado, na dele. Renato ressentia-se disso, sobretudo durante as jams q acabavam acrescentando músicas ao repertório da Legião. Cobrava que ele se envolvesse mais no processo de composição e de arranjo.
Mas, visceralmente punk, o outro pegava a corda mi e ia embora. Sempre curtira música mais pesada. Durante as gravações do lírico As Quatro Estações o seu desalinhamento com o projeto artístico chegou a um beco sem saída. Negrete estava morando num sítio em Mendes, Estado do Rio, e ou chegava atrasado ou faltava às gravações. Pressionava por uma rendosa turnê em Portugal, exigia adiantamentos para comprar novos carros e motos. Chegou a ter oito delas. O desgaste chegou a um ponto insuportável. “Você ta fora”, comunicou Renato, na porta do elevador da EMI. “Eu não preciso de você para nada”, respondeu-lhe Negrete. E foi embora.
No fundo, o baixista achava que esse dia não chegaria nunca. Acreditava que desempenhava também um papel simbólico e conceitual na banda: era o negro que, com o lourinho e o moreninho, espelhava a diversidade étnica do Brasil. Não adiantava Rafael dizer-lhe que não era bem aquilo. “Era um bando de meninos chatos e mimados”, diria o ex-baixista da Legião Urbana. “Sou pobre, filho de sargento. Vivia constrangido com pessoas que não tinham tesão pela vida, que tinham grana, iam num puta restaurante, numa puta roupa, mas de mau humor…”
Para os q ficaram, a saída de Negrete foi sentida de diferentes formas. “O Billy não acompanhou, queria mais aquela coisa rock’n'roll, não ter reunião na gravadora, com os advogados, com os procuradores”, avaliaria Renato, cujo grau de exigência consigo mesmo e com os outros era implacável. Um de seus baixos, um MG Yamaha, foi esquecido por Negrete num táxi. Renato não conversou: cobrou-lhe as 800 libras.
Dado lamentou a perda de um colega hipersensível, por mais que parecesse alheio a tudo. “Nós fizemos exaustivas sessões de psicanálise em grupo com ele”, lembraria o guitarrista. “Botávamos ele numa cadeira e ficávemos, eu, Mayrton, Renato, Bonfá dizendo ‘cara, você não pode fazer isso…’ Mas ele, alucinado, praticamente se ejetou da banda.”
Marcelo sentiu-se aliviado. Embora ele mesmo tivesse convidado Negrete, quando Renato cortara os pulsos, cinco anos antes, percebeu que só conseguia tocar sua bateria com o cantor tocando baixo. “Foram anos sofridos os com o Negrete, nós não tínhamos afinidade musical nenhuma”, diria. Com ele fora da banda, os três decidiram regravar tudo o que o baixista já tinha gravado. Por pirraça. Nãoa ia sobrar nenhum crédito para Negrete em As Quatro Estações.
Revista ISTO É
Renato Rocha 2001
As marcas de renato rocha

COMPOSIÇÕES DO RENATO ROCHA
DOIS – Legião Urbana (1986)
Daniel Na Cova Dos Leões
Quase Sem Querer
Acrilic On Canvas
Metrópole
Plantas Embaixo Do Aquário
QUE PAÍS É ESTE? – Legião Urbana (1987)
Angra dos Reis
Mais do mesmo
DOIS – Legião Urbana (1986)
Daniel Na Cova Dos Leões
Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo
De amargo então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve
Forte, cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque
Não vemos
Quase Sem Querer
Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Estou tão tranqüilo
E tão contente…
Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém
Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira
Mas não sou mais
Tão criança, oh! oh!
A ponto de saber tudo…
Já não me preocupo
Se eu não sei por que
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo
O mesmo que você…
Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto…
Já não me preocupo
Se eu não sei por que
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê
E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero
O mesmo que você…
Oh! Oh! Oh! Oh!…
Acrilic On Canvas
É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombra
E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são
Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
Da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte
E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que não foi por mal
Eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca vai acontecer mais uma vez
E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição
Às vezes é difícil esquecer:
“Sinto muito, ela não mora mais aqui”
Mas então, por que eu finjo
Que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito
Ninguém sofreu
É só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De “amor-perfeito”
E “não-te-esqueças-de-mim”
Metrópole
“É sangue mesmo, não é mertiolate”
E todos querem ver
E comentar a novidade.
“É tão emocionante um acidente de verdade”
Estão todos satisfeitos
Com o sucesso do desastre:
Vai passar na televisão
“Por gentileza, aguarde um momento.
Sem carteirinha não tem atendimento -
Carteira de trabalho assinada, sim senhor.
Olha o tumulto: façam fila por favor.
Todos com a documentação.
Quem não tem senha não tem lugar marcado.
Eu sinto muito mas já passa do horário.
Entendo seu problema mas não posso resolver:
É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver.
Ordens são ordens.
Em todo caso já temos sua ficha.
Só falta o recibo comprovando residência.
Pra limpar todo esse sangue, chamei a faxineira -
E agora eu vou indo senão perco a novela
E eu não quero ficar na mão
Plantas Embaixo Do Aquário
Aceite o desafio e provoque o desempate
Desarme a armadilha e desmonte o disfarce
Se afaste do abismo
Faça do bom-senso a nova ordem
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Pense só um pouco
Não há nada de novo
Você vive insatisfeito e não confia em ninguém
E não acredita em nada
E agora é só cansaço e falta de vontade
Mas faça do bom-senso a nova ordem
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
QUE PAÍS É ESTE? – Legião Urbana (1987)
Angra dos Reis
Deixa, se fosse sempre assim
Quente, deita aqui perto de mim
Tem dias, que tudo está em paz
E agora os dias são iguais..
Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me roubar…
Vamos brincar perto da usina
Deixa pra lá
A Angra é dos Reis
Por que se explicar
Se não existe perigo…
Senti teu coração perfeito
Batendo à toa e isso dói
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me roubar
Uh! Uh! Uh! Uh!…
Vai ver que não é nada disso
Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui o mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi…
Mesmo se as estrelas
Começassem a cair
A luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
Você visse o nosso corpo
Em chamas!
Deixa, pra lá…
Quando as estrelas
Começarem a cair
Me diz, me diz
Pr’onde é
Que a gente vai fugir?
Mais do mesmo
Ei menino branco o que é que você faz aqui
Subindo o morro pra tentar se divertir
Mas já disse que não tem
E você ainda quer mais
Por que você não me deixa em paz?
Desses vinte anos nenhum foi feito pra mim
E agora você quer que eu fique assim igual a você
É mesmo, como vou crescer se nada cresce por aqui?
Quem vai tomar conta dos doentes?
E quando tem chacina de adolescentes
Como é que você se sente?
Em vez de luz tem tiroteio no fim do túnel.
Sempre mais do mesmo
Não era isso que você queria ouvir?
Bondade sua me explicar com tanta determinação
Exatamente o que eu sinto, como penso e como sou
Eu realmente não sabia que eu pensava assim
E agora você quer um retrato do país
Mas queimaram o filme
E enquanto isso, na enfermaria
Todos os doentes estão cantando sucessos populares.
(e todos os índios foram mortos).
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